sexta-feira, 10 de junho de 2011

Grupos, cotas e o estúpido proselitismo racial



É legítima e importante a formação de grupos sociais. Após identificarem uma semelhança, mesmo que mínima, as pessoas aproximam-se e formam grupos diversos. Decidem, desde a criação, defendê-lo com unhas e dentes. Assim nascem as famílias, as tribos, certos direitos, cidades e até países.

Desde sempre, há homens e mulheres. Negros, brancos, índios, pardos e amarelos. Existem os grupos cristãos, os muçulmanos, os judeus e os ateus, graças a Alá e a Deus. Vascaínos e flamenguistas, sambistas e roqueiros. Tem também o americano, o africano, o asiático e o europeu. É certo que teremos terráquios e marcianos em alguns séculos. O mundo gira e muda, incansável, com tantos modos de vida diferentes quanto o número de indivíduos que o habitam. O que não muda é a insistência em rótulos, muitas vezes baseados apenas em pequenos detalhes. Parece instintivo o desejo de se unir por qualquer que seja a causa.  

O Brasil é um país, como qualquer outro, formado por diferentes grupos. Dizem que o diferencial aqui é que a variedade deles foi maior que a de outras nações em formação. Talvez seja por isso que nosso país vive dias de intensas lutas grupais. Alguns alegam que são lutas sociais, o que evidentemente nem chega perto de ser. Esses grupos fazem uma baderna sem tamanho com as idéias, em um verdadeiro desfile de proselitismos egoísticos e amargurados. Leia esta extraordinária síntese do cenário atual, pelo Jornalista Reinaldo Azevedo:

“O estado está sendo tomado de assalto por minorias organizadas que pretendem impor a sua pauta, independentemente da vontade da maioria e de suas instâncias de representação. É assim em todas as áreas. Os Verdes de Marina Silva acham que o Congresso não tem de se meter com meio ambiente porque isso é coisa de sua militância; os gays organizados acham que os educadores e os héteros não têm que se envolver com o material anti-homofobia porque isso é coisa de sua militância; os negros organizados acham que os não-negros não podem participar do debate de cotas porque isso é coisa de sua militância; mulheres organizadas defendem que o aborto seja decidido em plebiscito por mulheres porque isso é coisa de sua militância; os maconheiros organizados acham que os não-maconheiros não tem legitimidade para debater a descriminação de drogas porque isso é coisa de sua militância”.

É uma verdadeira torre de Babel. Grupos e mais grupos, uns legítimos, e outros não. O que difere estes daqueles, certamente, é o motivo social de sua luta. Senão vejamos. Se um partido político promove embates entre idéias de direita e esquerda, o grupo é legitimo. Se, entretanto, promove brigas e motins em praças públicas, promovendo o caos pela intolerância democrática, o grupo é deslegitimado.

Se os gays organizados lutam contra o preconceito ou buscam direitos de família, formam um grupo legítimo. Porém, se tentam fazer-se de vítimas de uma sociedade, de acordo com eles imoral, ao mesmo tempo em que tentam transformarem-se em cidadãos superprotegidos, o grupo é deslegitimado. Da mesma forma, quando brigam pela implementação da propaganda de sua sexualidade nas escolas. Não me causaria espanto algum se aparecesse alguém, em breve, propondo cotas para gays em concursos públicos.

Os maconheiros organizados pro-legalização... Esses são deslegitimados até quando não formam grupo algum. A briga do grupo é pela legalização, pela criação de um mercado lícito. Nem os viciados em cigarro se utilizam do mercado lícito, quanto mais os maconheiros (o tráfico de cigarros paraguaios chega a ser maior que o de maconha). E o mais importante, o caos no trânsito, que causa um número absurdo de mortes de jovens apenas com o álcool não faz parte da discussão pela legalização. O que importa mesmo é o direito a uma lombra após um baseado e uma pseudo liberdade de expressão. 

Os negros organizados, quando resolvem brigar contra o racismo ou promovem movimentos culturais, são grupos fortes e admiráveis. Quando, porém, passam a brigar por cotas e dedicam a vida tentando cobrar do Estado uma tal de "dívida racial histórica", chegam a causar mais transtornos que os maconheiros do "legalize já".

Aliás, o que se passa na cabeça deles? Quem, afinal, é negro nesse país? De onde veio a adequação dessa tal expressão "dívida racial histórica"? Argumenta-se que o grupo de negros escravos é o credor, e o Brasil, todos nós, os devedores. Ora bolas, essa argumentação tem uma falha insanável, pois é impossível identificar-se o credor.

Há quem diga que o grupo de negros é identificado pela cor de pele. Ficticiamente criemos, nesse caso, uma escala, e apropriadamente chame-mo-la de algo como dermapigmentômetro, de forma a tentar definir esse grupo. Esta escala consiste na fixação de uma gradação de cores. A cena fictícia é a seguinte: o cidadão vai se inscrever no vestibular, concurso, fila de sopa ou qualquer outra atividade, e será obrigado a encostar o braço ao lado da escala, mostrando que tem a tonalidade mínima exigida para a inscrição. 

Funcionaria? É evidente que não. Seria interessante observar a busca por partes do corpo mais escuras no dia das inscrições (lembre-se do quão sua bunda é branca). E outra, o branquelo que banha de sol por uma semana no litoral piauiense atingirá a cor mínima facilmente. Talvez isso tenha ocorrido recentemente. Na UNB, um indivíduo conseguiu entrar em um curso universitário através de cotas raciais, enquanto o seu irmão gêmeo não conseguiu.

Dizem que negro é quem possui o DNA de um negro. Vejamos. Qualquer pessoa possui quatro avos, 8 bisavos, 32 tataravos. Em menos de um século, qualquer pessoa tem em seu sangue a carga genética de trinta e duas pessoas. E não duvide, mesmo que seja alguém de olhos azuis e branco gelo, a probabilidade de ter um negro por aí é bem grande.  Aumente essa mistura para 500 anos, e então, aproximadamente, teríamos a carga genética de 33 milhões de tataravôs (se duvida, faça os cálculos!). Não é mais questão de dúvida, mas um juízo de certeza que, a maioria esmagadora da população, tem o DNA de negros.

Dizem também que negro é quem se declara negro. É assim que se classificam hoje em dia, e é assim que será feito na recente decisão populista do governor do Rio de Janeiro em destinar 20% das vagas de concursos públicos a negros. Qualquer um pode ser negro, desde que diga que é negro. Parece eliminar todas as hipóteses absurdas supracitadas. Mas se uma morena rosa charmosa, filha de avôs negros, se declarar negra, vai receber olhares de reprovação. É isso o que essa atitude proporciona. Na impossibilidade de determinar-se quem é ou não é, o Estado deixa para que os que se declaram negros a tarefa imoral e a ridicularização popular.

O outro aspecto da tal dívida racial histórica, refere-se ao seu conteúdo: a escravidão. Ora, então também forçaremos o Estado a pagar todo o aluguel atrasado dessas terras aos índios, afinal, ocupamo-las há meio milênio! A Igreja também deveria devolver todo o dinheiro de terras vendidas no céu! Os gregos, cheios de ciência e filosofia, foram massacrados pela Roma impiedosa. Roma tem, então, uma dívida histórica com a Grécia e com o mundo, exijamos então que a Itália resgate os gregos da crise econômica! E com os judeus... isso não tem fim. 

E por fim, o termo “racial” me parece mais do que inapropriado. Quem tem raça é animal, é cachorro, é cavalo, é bicho. Homem não tem variação de raça, todos são homo sapiens sapiens. Imagine, a cor de pele, um mero pigmento protéico, definir uma raça. Talvez um olho ou um nariz diferentes impliquem em mais diferenças genéticas do que a cor da pele. De forma que seriamos obrigados a definir a raça baseadas em todas essas coisas. Pode ser a raça pela altura, que nem se faz com o pequinês e o dog alemão, ou a raça dos olhos azuis e dos olhos pretos. A raça dos gordos e dos magros ou dos cabeçudos e dos carecas.

A verdadeira e única dívida brasileira é com a isonomia e com o desenvolvimento, e consequentemente, contra a pobreza. Dívida que ainda é contraída, a cada dia, enquanto o mesmo Estado que paga um salário para um servidor, paga sessenta a outro. O estímulo à diferença começa pelo funcionalismo público. Combate-se o racismo e a injúria racial com a ridicularização e punição aos racistas, que cometem um crime imprescritível, e não estimulando a diferença com cotas discriminatórias e usando argumentos chulos, prejudicando os demais. 

Usar o racismo como argumento para se criar grupos superprotegidos é uma afronta a um estado que pretende ser isonômico. É tolice, além de incentivador à falsa afirmação de que há desbalanço de oportunidades, quando os únicos que podem alegar isso são os pobres. Até isso deve ser expressado com as devidas ressalva. Além de tudo, é um desrespeito com tantos ditos negros que, ignorando qualquer preconceito, são referências em quase todos os ramos da sociedade.

O preconceito é brega, é tosco, é ridículo. A única coisa pior do que ele, é usá-lo para se beneficiar em situações que exigem o mérito pessoal. 

Um comentário:

  1. Ocê é um mano brown chei das linguiça.

    Acorda pra manolada!

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